domingo, maio 30, 2010

Do Eu ao Direito de resposta

Falo pouco de mim aqui.
Sim, falo muito da minha experiência com a gastroplastia, mas do meu EU ainda acho pouco.

Recebi um comentário no último post e resolvi fazer esse imenso texto aqui.
Não me senti ofendida, nem triste e nem nada.
Só a vontade de fazer um post explicando algumas coisas e podem estar confusas.

Antes gostaria de dizer que só existem 3 pessoas que conheço pessoalmente que leem esse blog. Inclusive tenho pouco contato com elas. Não exponho minhas experiências com a gastroplastia por ai aleatoriamente, sou cautelosa e um dia explico isso.

O blog

Não coloco fotos no blog, não enfeito meu blog, não participo de memes, não entro em desafios de pesagem. Acho tudo isso muito bunitinho, leio sempre, acompanho todo mundo, mas me mantenho no direito de não fazer parte disso, acho legal mas não é pra mim. Acho que algumas meninas ficam chateadas, mas não e nada pessoal ou qualquer coisa do tipo.

Meu blog é uma válvula de escape, chego aqui escrevo e saio.

São pensamentos aleatórios sobre a gastroplastia, inclusive alguns posts são bem contraditórios. Uma vez eu disse e vou repetir, tenho todo o direito de ser contraditória, estou passando por um processo e aprendendo a cada dia sobre ele, posso voltar atras em todos os assuntos, mudar minha opnião e se quiser posso mudar de opniao uma terceira, quarta, quinta vez...

Em relação as fotos um dia pretendo colocar algumas e sobre enfeitar o blog também pretendo dar uma corzinha por aqui, mas só vou fazer isso quando realmente quiser.

É ridículo chegar em 2010 e ter que explicar o que é um blog.
É ignorância achar que você conhece uma pessoa por completo por conta de um blog também.

Tento compartilhar verdadeiramente o meu processo de gastroplastia, senão me engano no meu primeiro post eu disse que diria a verdade sobre o MEU processo, que não iria fazer de conta que esta tudo legal quando não está. Tento ser verdadeira sobre tudo isso que anda acontecendo comigo.

E se meu blog é tão diferente dos demais blogs sobre gastroplastia melhor ainda para quem ler vários blogs observar como o processo pode ser diferente para pessoas diferentes. Se o mundinho da gastroplastia fosse igual para todos os operados talvez as informações na web sobre esse assunto fosse mínima.

O Eu

Sou de Brasilia, cresci aqui mesmo.
Ja viajei muito por ai, taí uma coisa que gosto de fazer.
Se pudesse conheceria um cantinho qualquer a todo momento.

Estudei o suficiente para ter uma profissão, uma carreira e poder leva-la a sério.
Sou dedicada. Sou extremamente dedicada e esforçada com tudo que me proponho a fazer e isso inclui a gastroplastia.

Sou solteira, namorei muito tempo um cara que achei que iria casar e ter uma dezena de filhos, mas não era pra ser. Hoje eu amo uma pessoa, sinto profundamente o amor dele por mim, mas não queremos nada mais do que isso, não namoramos. Não controlo meus sentimentos e não me proíbo de me apaixonar, mas acho que nao é o momento.

Tenho 27 anos, trabalho bastante desde os 20 anos, moro sozinha há 3 anos, ganho o suficiente.
Tenho poucos amigos, sou bem caseira, não sou uma pessoa de balada, nunca fui. Ja bebi muito, não tenho religião, acredito em Deus, em ET's e nao tenho partido político, gosto de verdade de andar descalça em gramados.

Já tive grandes decepções que me levaram a ser bem fechada, bem na minha e bem desconfiada. Também me levaram a observar MUITO as pessoas e a descobrir alguns comportamentos que se repetem. Portanto, hoje não me surpreendo com muita facilidade.

Sou uma pessoa bem na minha, sem grandes problemas, não sou reclamona, aqui eu sou porque é um lugar de desabafos. Isso é um diário, porra.


Sem encantos

Sou esclarecida, quando enfim decidi operar fiz uma promessa:
NAO VOU COMETER O ERRO DE ME ENCANTAR PELA CIRURGIA.

Ao contrário de algumas pessoas eu resolvi estudar e saber onde estava colocando meus pés, li muito, participei de muitas palestras, conversei com muitos operados, com muitos médicos de diversas especialidades, conversei com pessoas mais velhas, mais novas, consultei toda a minha família, alguns amigos, alguns colegas. Observei inclusive a opnião de gente que não conhecia muito ou que nem importava. Li muitos blogs, li MUUUITOS blogs.

Passei por muitos exames, muitas consultas, procurei nomes de especialistas até o dia que eu escolhi o meu cirurgião e passei novamente por uma grande bateria de exames, consultas, laudos, tratamentos, acompanhamentos, perícias e tudo mais.

Foram meses de preparo. Já vi muita gente fazer em 30 dias o que eu fiz em mais de 7 meses de pré-operatório. Mas no momento em que decidi não me encantar pela cirurgia também decidi a ser responsável pela minha escolha em operar. Escolhi fazer tudo em seu tempo, sem correr, sem me desesperar, sem atropelar nada, mesmo que isso demorasse eu seria o mais responsável possível. E eu fui.

Tive angustias, fiquei tensa, triste quando tive mais de 2x a autorização da cirurgia negada. Operar era meu objetivo e sempre corri atrás dele. Matei serviço, adiei uma tese de conclusão de curso de pós-graduação, briguei com meus pais, fui julgada, gastei uma grana com consultas particulares que não aceitava convênio, sem falar na burocracia que enfrente para conseguir ser operada. Teve semanas que andei 400km andando de consultório em consultório.
SEI REALMENTE O VALOR DA CIRURGIA.

Não corri atrás de papelzinhos com carimbos médicos dizendo "ela pode operar", procurei laudos de verdade, procurei médicos em que confiasse, rasguei muito laudo porque não gostei do especialista e procurava novos médicos levasse o tempo que levasse.

Levei alguns meses para chegar no dia D, entrar naquela salinha fria, esticar os braços e escutar a anestesista dizendo que eu iria dormir.

Nunca estive encantada com a cirurgia, nunca vou ser uma pessoa encantada por isso.
Encarei a cirurgia até aqui de forma fria, calculista, simplesmente uma soluçao para um problema.

Pode ser uma forma fria de ver, uma forma triste de ver um recomeço, mas é assim que encaro esse procedimento cirurgico. Pra mim não é um milagre.

Diminuir meu estômago e mudar o caminho de onde passa a comida dentro do meu corpo não transformou meu passado, minha personalidade, meus medos, minhas tristezas e muito menos a minha depressão.

O nome desse blog é "isso vai mudar tudo". Quando escolhi esse nome foi pensando no "a partir dessa escolha da cirurgia eu vou mudar tudo no meu FUTURO" vou me sentir no direito de fazer novas escolhas, tomar novas atitudes, nao me sentir presa num futuro de obesidade que já estava traçado.

O óbvio

Estou feliz, satisfeita com a minha perda de peso. Quando eu iria imaginar que perderia 30,6 kg em 5 meses?
Nunca entrei nesse blog e me disse arrependida de ter operado, nem nos dias em que eu senti dor por ter entalado com uma mísera garfada de arroz.

Nunca estive arrependida de ter operado.
Sempre estive muito feliz com o processo cirúrgico, tudo deu certo como eu gostaria.

Adoro ESCOLHER roupas, poder cuidar do visual como sempre tive vontade, usar um salto sem morrer de dores, ver a cada semana que o número da minha roupa esta cada vez menor e estar cogitando a possibilidade de comprar um jeans tamanho 40 já na semana que vem e quem sabe daqui uns meses eu usar 38, já imaginou?

É uma maravilha passar pelos corredores da minha empresa e ver uma segunda olhada das pessoas que na primeira olhada nao me reconhecem.

É bom ser cortejada, ver caras que te ignorava dando uma olhadinha de lado com cara de safado. É bom sim, como não?

É tudo muito novo e bom.

Mas…

Chegar aqui e dizer que estou feliz e somente feliz por todas essas mudanças seria falsidade demais, estou feliz, satisfeita com a perda de peso, mas por outro lado ainda estou confusa sobre muita coisa que esta acontecendo ao meu redor por causa da minha mudança visual.

Não esperava mudanças tão bruscas no comportamento das pessoas ao meu redor.
Pode ser um baú de felicidade ver as pessoas te tratando melhor por você ter perdido 30 Kg, mas pra mim é um choque.
Eu disse que estou em choque sobre o comportamento das pessoas e nunca insatisfeita pela cirurgia.
Pra mim é um absurdo as pessoas me tratarem melhor simplesmente porque emagreci, me dá um nojo da superficialidade das pessoas sem tamanho.

Quando digo que nao consigo ver a minha perda de peso, tente entender. Perder 30 kg em 5 meses é demais.. confunde, na minha cabeça eu ainda tenho o mesmo corpo. Nunca disse que estou achando pouco ou demais, que estou insatisfeita com a perda de peso, só que a mente as vezes nao acompanha a velocidade dessa mudança.


O direito de resposta

Anônimo‬ disse...
De todos os blogs de entrei o seu é o mais deprê. Nada te alegra, nada te satisfaz, que coisa.
Recomendo que leia blogs de pessoas que dão graças a Deus por poderem fazer a cirurgia e a alegria que elas transmitem. Sugiro que procure ajuda psicológica.

Sinceramente,
Tânia
Tânia,
Acho uma grande prepotência dizer que nada me satisfaz quando até uma bola de sorvete me deixa feliz e eu faço questão de entrar aqui e dizer isso.

Obrigada pelo conselho em me mandar ler blogs de pessoas que dão graças a Deus em terem feito a cirurgia, mas eu já leio muitos e inclusive acho que o meu se enquadra. Dou graças a Deus em ter operado todos os dias e meus amigos, médicos e familiares sabem muito bem disso.

A respeito de transmitir alegria, esse não é meu objetivo aqui. Meu blog é para ser um diário bem objetivo sobre minha experiência com a gastroplastia. A parte de transmitir alegria eu deixo para o meu Flickr, Tumblr, twitter, gtalk etc… também sou adepta a sair com amigos e transmitir toda a alegria que há em mim, mas aqui no blog eu nao tenho essa pretensão e nem vontade. As pessoas que não gostam do tipo do meu blog costumam a clicar no botão vermelho no canto da tela com um X.

Obrigada pela sugestão sobre ajuda psicológica, realmente preciso. Não porque estou insatisfeita com a cirurgia, mas porque preciso entender a ignorância alheia e saber lidar com ela sem tanto ódio no coração.

Já que me deu tantas sugestões, sugiro que leia o blog por inteiro e não posts aleatórios. Ou não leia este blog e parta para blogs felizes, serão mais úteis para você.

Sinceramente,
Cláudia

quarta-feira, maio 19, 2010

As roupas

Então, aqui estou 5 meses e meio de operação, calças folgadas e revoltada porque só encontro nos cabides das lojas que frequento calça jeans 44 ou 46, quando o que eu mais queria era um 42 ou até um 40.

Como pode?
Como assusta!

Um dia eu me sinto mal porque a única calça que coube era um jeans masculino de tamanho estratosférico que a passadeira confundia com a calça do meu pai, no outro dia fico revoltada com a falta de número 40/42 nos cabides das lojas populares.

Não é só surpresa e satisfaçao, rola um sentimento estranho e confuso sobre essas mudanças tão grandes.

Continuo não me vendo mais magra, sei que a "coisa" aconteceu pela balança e roupas que ando recuperando e comprando. Visualmente ainda vejo a mesma pessoa.

Um dos meus primeiros posts eu falei sobre 3 imensas malas de roupas que estavam entulhadas no armário. Bom, dessas 3 malas imensas restaram 5 peças de roupas que ainda preciso perder algumas medidas para ficar bem, o resto já posso usar e muitas eu já doei porque estavam bem largas.

Como pode?
Como assusta!

Queria estar mais feliz, satisfeita... queria que minha auto-estima estivesse saindo pelo meu umbigo de tão grande, mas devo confessar... nao estou 100%, essa coisa pra mim é complicada demais para descrever. Mas posso garantir que estou melhor, isso é um começo... RECOMEÇO.

domingo, maio 09, 2010

Tomei sorvete e não morri

É isso, tomei uma bola de sorvete do saborella e não morri. Tomei sabendo que as chances de dumping seriam na faixa de 99%.

Absolutamente nada aconteceu.

A unica coisa que aconteceu é que fiquei de estomago lotado mesmo com uma bola de sorvete.
Super satisfeira.


Me falaram que o sorvete do saborella tem menos gordura que os industrializados, deve ser isso.


DILÍCIA!

sexta-feira, maio 07, 2010

5 meses

5 meses de operada e minha vida mudou.
Difícil admitir isso, mas mudou sim.

A vida, nao minha personalidade.
É tão mais fácil sorrir e viver coisas simples sem o peso extra do preconceito ou da baixa auto-estima.

Usar uma roupa porque você acordou com vontade.
Nao se preocupar com a festa a noite que vc precisa estar bem ou sair com aquele cara fofo assim de surpresa.

Coisinhas simples e que fazem a diferença.

Por outro lado, tem sido estranho ver a mudança de comportamento das pessoas, como é brusca, como assusta…

E ainda como aprender a se enxergar outra vez. Será que essas mudanças físicas são reais? Como posso entrar numa calça 42 e ela ficar folgada se há 5 meses eu mal entrava em um jeans? E ainda como posso estar pesando 75kg se ainda me sinto com 103kg?

A auto imagem, taí uma coisa que nao falaram muito no meu processo pré cirúrgico. E eu até fiz acompanhamento psicológico.

Sinto falta disso, acompanhamento psicológico… talvez eu volte a minha saga a procura da psicóloga não louca.

Nao há mágica, tenho ainda meus problemas de auto estima, minhas maluquices e compulsões com comida, ainda choro de raiva, ainda fico bem triste com nenhuma ou pouca razão, ainda me sinto um lixo quando um olhar é desviado.

Gastroplastia nao é a salvação, é um começo…
Nao foram 5 meses de total felicidade , continuo sendo a mesma pessoa, só que com experiências e, principalmente, reações diferentes.

Em números são 28kg a menos
De resto são 5 meses de vida…